Quando o verde e o cinza fazem as pazes

Quando a gente pensa na paisagem de uma grande cidade, logo nos vêm à cabeça muitos prédios, avenidas, calçadas, shoppings… Enfim, muito concreto! Essa imagem em que o cinza predomina não surge à toa. Em geral, as grandes cidades têm mesmo poucas áreas verdes, ou seja, raras praças, jardins botânicos, áreas de preservação ambiental com rios e nascentes, ou, até mesmo, terrenos baldios, onde nada foi construído, mas há muita vegetação. Quando as construções são feitas sem planejamento urbano, isto é, sem incluir espaços de áreas verdes, as cidades tendem a se tornar lugares desagradáveis. Mas, claro, é possível equilibrar a paisagem entre o verde e o cinza para termos como resultado cidades mais sustentáveis!

Quando o verde e o cinza fazem as pazes
Ilustração Walter Vasconcelos

Estamos acostumados a pensar as cidades como lugares essenciais à vida moderna. Elas concentram grande quantidade de escolas, oportunidades de trabalho, além de muitas opções relacionadas a saúde e lazer. Por outro lado, sabemos também que os centros urbanos enfrentam grandes desafios. Para que sejam realmente bons espaços para se viver, eles precisam garantir qualidade ambiental: sombra, ar puro, rios limpos, áreas de convívio social e contato com a natureza. Sem isso, a vida urbana se torna difícil e desequilibrada.

No Brasil, infelizmente, ainda é comum observar questões ambientais em segundo plano nas grandes cidades. Crescemos rodeados por muitos prédios, ruas largas e carros, e, ao mesmo tempo, com escassez de praças, parques e florestas, e, ainda, observando o curso de rios poluídos. É como se a natureza tivesse sido empurrada para fora do espaço urbano, restando apenas pequenos pedaços isolados. Essa desigualdade mostra que precisamos pensar de forma diferente sobre como construir e expandir as cidades.

Tércio da Silva Melo,
Laboratório de Mirmecologia,
Convênio Universidade Estadual de Santa Cruz/,
Comissão Executiva do Plano da Lavoura Cacaueira (UESC/CEPLAC).