Guarda-parque!

A pessoa gosta tanto da natureza que escolheu trabalhar na conservação dela. E o trabalho não é fácil! O guarda-parque (ou a guarda-parque, claro!) cuida da proteção de grandes áreas emparques nacionais, e cuida da segurança dos visitantes também. É comum para esse profissional  ver animais selvagens no dia a dia. Daniel Muñoz, chefe dos guarda-parques do Parque Nacional Los Glaciares, na Argentina, conta que já viu onças varias vezes!

O guarda-parque precisa entender sobre o meio ambiente, combater incêndios florestais, entender de primeiros socorros e resolver conflitos! E ainda tem de lidar bem com o fato de ficar sozinho, caso seja mandado a lugares afastados. A parte boa, conta Daniel, é a possibilidade de conhecer ambientes naturais incríveis. E a rotina, claro, é bem diferente da de uma cidade. Nosso entrevistado trabalha há 21 anos como guarda-parque e diz que é um estilo de vida!

Ilustração Bruna Assis Brasil

 

Ciência Hoje das Crianças: Você trabalha no Parque Nacional Los Glaciares, na Argentina. O que esse parque tem de especial?

Daniel Muñoz: A paisagem, sem dúvida! O glaciar Perito Moreno e o monte Fitz Roy são as joias mais preciosas do parque. Mas é difícil não citar outros atrativos, como seus lagos, bosques, fauna, o gigantesco campo de gelo, as trilhas etc.

 

CHC: Qual é seu animal preferido do parque?

Daniel: O “huemul”. É o emblema do parque, daí a escolha. (O “huemul” é uma espécie de veado exclusivamente nativa do deserto e das montanhas da Patagônia, uma região bem ao Sul de Argentina e Chile).

 

CHC: Você já viu uma onça?

Daniel: Várias vezes! Os grandes felinos são animais que também chamam muito a minha atenção. Nunca senti medo. É uma sensação de fascínio. Não é fácil descrever o efeito de ver um animal em seu hábitat natural. Além disso, se o animal não está encurralado, ou não se sente ameaçado, dificilmente terá um comportamento agressivo. No geral, eles que fogem de nós, humanos.

 

CHC: Como é o dia a dia de um guarda-parque?

Daniel: O guarda-parque cuida da preservação das áreas protegidas, da segurança dos visitantes e garante que as atividades humanas realizadas ali estejam em harmonia com esses objetivos. Também ajuda a divulgar os benefícios que a natureza representa para a humanidade. A rotina varia de acordo com a área protegida, mas é bem diferente da rotina comum de uma cidade. É um estilo de vida. Do amanhecer até o fim do dia fica difícil se desligar das tarefas de guarda-parque.

 

CHC: Por que escolheu essa profissão?

Daniel: Sempre gostei da natureza. Isso me levou a escolher uma profissão em que me divertiria trabalhando e, ao mesmo tempo, poderia contribuir no cuidado ambiental. Um guarda-parque valoriza, respeita e desfruta a natureza. Nós nos sentimos bem com ela.

 

CHC: O que é mais divertido no seu trabalho?

Daniel: Conhecer ambientes naturais que não conheceria se não fosse guarda-parque. Andar a cavalo, andar a pé, andar de canoa…

 

CHC: E o mais difícil?

Daniel: Estar atento às condutas dos visitantes nas áreas protegidas. Sem dúvida, o ser humano é a maior ameaça ao parque, seja por ação direta ou indireta, e também por omissão. Somos sempre responsáveis. Já lidei com um incêndio florestal (quando trabalhava) no Parque Nacional Lihué Calel, na (província) Pampa. E passei por situações de risco com caçadores furtivos em Misiones (que fica no Nordeste argentino).

 

CHC: Não se sente sozinho às vezes trabalhando no meio de um bosque?

Daniel: Depende do lugar. Às vezes os guarda-parques são transferidos, e alguns destinos são mais solitários do que outros. Quando acontece de alguém ser mandado para um lugar afastado, é preciso ter disciplina, ser autossuficiente e se sentir bem estando sozinho. Mas, com a tecnologia, as distâncias têm ficado cada vez menores.

 

CHC: O que é essencial para ser um bom guarda-parque?

Daniel: Além de ser um admirador da natureza, é preciso estudar. E ter capacidade de enfrentar as mais variadas situações que surgirem nas áreas de preservação. Um guarda-parque deve entender de conservação e manejo do patrimônio natural e cultural; conservação da biodiversidade; controle e vigilância; combate de incêndios florestais; leis vinculadas a parques nacionais; primeiros socorros e resolução de conflitos, entre outros temas relacionados a áreas protegidas.

 

CHC: Como se sente quando visita outros parques, como turista?

Daniel: Já trabalhei em muitos parques, como o Parque Nacional Lihué Calel (Província de La Pampa), Parque Nacional Iguazú (Misiones), Parque Nacional Nahuel Huapi (Río Negro), Reserva Natural Estricta San Antonio (Misiones) e Parque Nacional Los Glaciares (Santa Cruz). É difícil ver um parque como turista e não como guarda-parque. Mas sempre aproveito as paisagens e a biodiversidade.

 

CHC: Como os visitantes podem ajudar na preservação de um parque? O que diria aos turistas que planejam conhecer o Parque Nacional Los Glaciares?

Daniel: Diria que são pessoas privilegiadas por poderem apreciar essa região. Vem gente do mundo todo conhecer o parque. E qualquer um pode ajudar na preservação. Basta respeitar as normas de proteção da natureza. O guarda-parque tem a função de proteger o patrimônio natural e cultural da humanidade. Mas fazer isso também é um dever e uma responsabilidade de todos que vivemos nesse planeta.

 

Elisa Martins,
Jornalista, especial para a CHC.

Matéria publicada em 22.03.2019

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