Salva-vidas!

O nome já dá a pista, mas ser um salva-vidas vai além do socorro a pessoas na praia, em rios ou piscinas. Essa é uma profissão para os apaixonados por água e…pela preservação da natureza!Os salva-vidas precisam conhecer muito bem fenômenos como formação e força das correntezas, direção e força dos ventos, tamanho de ondas, calor do sol e muito mais. Quem nos conta esse dia a dia é Jailson Moura, que foi salva-vidas por mais de dez anos!

A paixão pelo mar e a natureza era tanta que ele decidiu também estudar Biologia. Virou cientista em biologia marinha lá no Norte da Alemanha, no Leibniz Centre for Tropical Marine Research (ZMT), que em português quer dizer algo como “Centro de Pesquisa Marinha Tropical”. Mas Jailson traz boas lembranças e ensinamentos dos tempos de salvamento no mar.

Ilustração Mariana Massarani

 

Ciência Hoje das Crianças: Como é a vida de um salva-vidas?  

Jailson Moura:A profissão de salva-vidas requer bom preparo físico e excelente conhecimento de técnicas de resgates e primeiros socorros. Além disso, exige boa experiência sobre o ambiente aquático, por exemplo, como as correntezas se formam e se comportam em certos locais. O salva-vidas também precisa gostar de se comunicar, pois fazendo isso ele orienta as pessoas sobre perigos que não são facilmente visíveis. Desta forma, evita casos de afogamentos. O salva-vidas, ou guarda-vidas, é um verdadeiro herói da vida real, mas precisa treinar sempre e manter uma vida saudável.

 

CHC: Por que essa profissão é importante?

Jailson: A profissão de salva-vidas é de extrema relevância no mundo inteiro, e principalmente no Brasil. O Brasil é o terceiro país em número de mortes por afogamento. Certamente os problemas relacionados com afogamento seriam muito maiores se não fosse pelo trabalho de salva-vidas. O Brasil possui inúmeros rios, lagoas, riachos e praias. Só de litoral são mais de sete mil quilômetros de extensão. Esse fato aumenta muito a chance de ocorrências de afogamento.

 

CHC: Como se sente salvando vidas?

Jailson: Ser salva-vidas traz uma sensação muito boa de cidadania e amor com o próximo. Uma situação de afogamento nunca é igual à outra, e o profissional precisa se adaptar a cada caso. Mas isso é de certa forma excelente para quem adora aventuras, como eu. Embora não trabalhe atualmente como salva-vidas, o instinto de salva-vidas está sempre comigo, principalmente se estou em algum lugar de praia que ofereça algum perigo a banhistas. Não consigo relaxar muito e ainda procuro orientar as pessoas.

 

CHC: O salva vidas trabalha sempre na praia? 

Jailson: Não. O salva vidas trabalha também em rios ou piscinas, ou também em casos de emergências, como enchentes em grandes cidades. Os salva-vidas muito experientes também trabalham como instrutores, capacitando novos salva-vidas.

 

CHC: Qual é a relação do salva-vidas com a natureza?   

Jailson: Enorme! O salva-vidas precisa conhecer muito bem alguns fenômenos da natureza essenciais para o seu trabalho. Os mares ou rios são ambientes que estão em frequente mudanças. É importante monitorar, por exemplo, a formação e intensidade das correntezas, força de ventos, tamanho de ondas, calor do sol e muitas outras coisas. Isso tudo ajuda a salvar vidas e evitar acidentes como afogamentos e queimaduras. Além disso, é importante para a profissão conhecer e monitorar animais marinhos que ofereçam riscos aos banhistas, como tubarões, águas-vivas, ouriços, arraias, além de outros animais que podem causar ferimentos graves. E o salva-vidas também ajuda na preservação da natureza.

 

CHC: Você também estudou Biologia. Por quê? Como esse conhecimento se une ao de salva-vidas?

Jailson: Desde bem pequeno adorava ir à praia, pois é um lugar que despertaenorme curiosidade sobre os fenômenos da natureza. Ainda na escola decidi que aquele seria meu local não só de lazer, mas também de trabalho. Sempre que tinha tempo pescava e surfava e, com isso, obtive muita experiência com o mar e também com atividades físicas que facilitariam meu ingresso mais tarde como salva-vidas. Me senti muito realizado com essa profissão. Mas minha curiosidade sobre os animais marinhos me fez seguir adiante, e me tornar biólogo marinho. Hoje trabalho no Norte da Alemanha como cientista em biologia marinha especializado em ecologia da megafauna marinha, um grupo de animais que inclui baleias, golfinhos, aves e tartarugas marinhas.

 

CHC: O que um salva-vidas faz quando não está salvando vidas?

Jailson: O salva vidas precisa treinar muito, não só fisicamente, mas também para saber como reagir em situações de emergências. Por isso, quando não está salvando vidas, o salva-vidas geralmente faz treinamentos físicos e cursos de aprimoramento em primeiros socorros. A profissão também exige um patrulhamento constante da praia e ficar sempre alerta para situações de risco. Os salva-vidas também ajudam muitas pessoas fora d’água em possíveis acidentes, ou por exemplo ajudando crianças perdidas a reencontrarem seus pais. Na época em que era salva-vidas, eu chegava bem cedo na praia, geralmente antes dos banhistas, e fazia uma análise das condições do mar, identificando áreas de perigo que eram logo sinalizadas com bandeiras. Depois preparava equipamentos de resgate e outros materiais para registrar os acontecimentos do dia. Daí iniciava uma série de exercícios como corrida e natação para manter a forma física. Mais tarde, já com a praia mais cheia, fazia patrulhas regulares para identificar situações de risco que poderiam ser evitadas. Ocasionalmente tinha que entrar na água e resgatar algum afogado, certos dias inúmeras vezes, mas isso dependia do estado do mar e do número de banhistas na praia.

 

CHC: Você não tem medo de ondas fortes? 

Jailson: Aprendi a nadar muito cedo, pois morava a poucos metros da Lagoa de Araruama, localizada no litoral leste do estado do Rio de Janeiro, em um lugar chamado Praia Seca. Um nome bem estranho para um lugar com tanta água! Saber nadar é o requerimento número 1 da profissão de salva-vidas. Os salva-vidas precisam aprender algumas técnicas de natação pois muitas vezes precisam nadar transportando outra pessoa, sob influência de fortes correntezas e grandes ondas. Mesmo assim, em condições extremas com fortes correntes o medo sempre aparece. O medo é uma ferramenta genial que temos para evitarmos situações de risco de vida. Aliás, uma observação interessante é que pouquíssimos casos de afogamentos ocorrem quando as ondas estão visivelmente muito fortes. O medo acaba afastando as pessoas no perigo. Já quando as condições estão aparentemente tranquilas o medo desaparece e aí é que muitos casos de afogamento acontecem.

 

CHC: Que conselhos você daria para as pessoas não se arriscarem na água?

Jailson: Embora o salva-vidas goste de resgatar um afogado, o maior papel deste profissional é evitar que o afogamento aconteça, pois não é uma experiência muito prazerosa se afogar, mesmo quando nada muito ruim acontece.Qualquer pessoa pode e deve tentar evitar que uma situação de afogamento aconteça. Por exemplo, evitando nadar em locais onde não conheça ou em que haja sinais óbvios de perigo, como correntezas. É sempre bom pedir a orientação de um salva-vidas.Caso não haja um disponível, é importante pedir informações a pessoas que conhecem o local onde desejam se divertir.

 

CHC: E o que recomenda para quem quiser ser um salva-vidas?

Jailson: Não é necessário ter título universitário, mas é preciso ter terminado o Ensino Médio e gostar de estudar. Para se tornar salva-vidas do Corpo de Bombeiros, por exemplo, o candidato precisa fazer uma prova com questões que requerem bons conhecimentos de conteúdos escolares, incluindo Matemática e Português. Além disso, para ser classificado para uma vaga é preciso fazer uma série de testes físicos, como nadar e correr. Se você gosta de aventuras, sente prazer em ajudar ao próximo, adora nadar e praticar esportes em geral, se considera uma pessoa calma, é uma pessoa comunicativa e gosta de aprender e estudar, então salva-vidas é a profissão certíssima para você.

 

Elisa Martins,
Jornalista, especial para a CHC.

Matéria publicada em 19.02.2019

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