Sempre gostei de colecionar – selos, moedas, figurinhas e copos de geleia. Em cada fase de minha vida, mudava a direção de meus interesses de colecionador. Algumas coleções eram um pouco estranhas, como a de besouros, que exalava um cheiro dos mais esquisitos.
Porém, gostava mesmo era da coleção de conchas. Redondas, espiraladas e achatadas, coloridas ou esbranquiçadas, eram um sucesso entre meus colegas. Eu as organizava pelo tamanho, ordenando-as em várias e várias caixas de sapatos.
As conchas são parte do esqueleto dos invertebrados conhecidos como moluscos. Trata-se de um grande grupo de animais, que às vezes têm uma concha externa protetora ou uma concha interna que ajuda na sustentação do corpo. E como são diferentes uns dos outros! As ostras, mexilhões, quítons, polvos e lulas são apenas alguns dos representantes das milhares e milhares de espécies que vivem nos mares, lagos, rios e também em terra firme.
Se, nos dias de hoje, eles são abundantes e tão diferentes entre si, imagine então como não foram os moluscos do passado. Alguns, como os amonitas, que possuíam uma concha externa, atingiram tamanho gigantesco. Parentes dos polvos, possuíam tentáculos e mandíbulas poderosas que atacavam vorazmente grandes peixes e répteis marinhos.
Outros, apesar do pequeno tamanho, têm uma história tão antiga na Terra que remontam ao próprio início da diversidade da vida nos mares.
Hoje não coleciono mais as conchas dos moluscos. Para falar a verdade, prefiro comê-los, um polvo frito, uma lula recheada ou uma moqueca de sururu. Porém, não resisto: sempre dou uma olhadela nas conchas do sernambi, que insistem em se esconder no meio do arroz de mariscos. Uma delícia que traz de volta as memórias de minha coleção de conchas, perdida em uma velha caixa de sapatos.