Talvez a mais popular entre as aventuras imaginadas por Júlio Verne, Vinte mil léguas submarinas narra as peripécias do capitão Nemo, príncipe indiano que constrói e capitaneia o fantástico e sofisticadíssimo submarino Nautilus. Ele usa a embarcação como arma em sua vingança pessoal contra os ingleses – que, naquela época, controlavam a Índia.
Paralelamente, o professor francês Pierre Aronnax, autor de um livro importante sobre o mundo subaquático, decide investigar o desaparecimento de diversos barcos, aparentemente atacados por um monstro marinho desconhecido. Embarca, com seu ajudante Conseil e o arpoador canadense Ned Land, no barco americano Abraham Lincoln, na tentativa de capturar o suposto monstro.
Então as duas histórias se cruzam: o navio de Aronnax é atingido pelo Nautilus e sua tripulação, resgatada pelo capitão Nemo. O comandante do Nautilus toma Aronnax, Conseil e Land como “convidados permanentes” em uma jornada pelos oceanos, tentando convencê-los de que o especialista francês estava errado em suas suposições sobre o mundo submarino.
O submarino e o oceano são os dois grandes personagens desta obra prima da ficção de aventura, e o livro inspirou a construção de submarinos de verdade. Você sabe como eles funcionam?
Para entender, você pode construir seu próprio submarino de plástico. Se quiser que ele mergulhe, você precisa deixá-lo mais denso que a água à sua volta, tornando a força do empuxo (para cima) menor que a força peso (para baixo). Nos submarinos de verdade, isso acontece quando as comportas são abertas e o ar nos tanques de lastro é expulso pela água que entra ali.
Ao contrário, para que o submarino suba, é preciso expulsar a água dos tanques de lastro e preenchê-los com ar. Assim, o peso total do submarino diminui e o empuxo fica maior do que o peso. A força resultante empurra o submarino para cima, até a superfície. Para se estabilizar em uma determinada profundidade, é necessário equilibrar precisamente as duas forças.
Mesmo fictício, o Nautilus de Júlio Verne teve grande influência sobre os pesquisadores e outros leitores que desejavam se aventurar pelo fundo do mar. Com tanto sucesso, a embarcação e seu capitão reaparecem em uma história posterior, A ilha misteriosa, de 1874.