Quero saber…

…por que o caramujo africano não é caramujo?

Foto Alexander R. Jenner/Wikipédia

Você já deve ter ouvido alguém dizer que o caramujo africano – que tem o nome científico Achatina fulicafoi trazido para o Brasil com fins alimentícios. Este animal veio da África de forma ilegal, para substituir o escargot (lê-se “escargô”), que é um caracol da espécie Helix aspersa. Acontece que essa iguaria não tem um gosto dos melhores!  Ou seja: o sabor do caramujo africano não agradou, fazendo com que aqueles que o trouxeram para o Brasil os abandonassem livres na natureza.

O que quase ninguém sabe é que o caramujo africano, na verdade, é um caracol. Diferentemente dos caramujos, os caracóis são de ambientes terrestres. Como o animal não é natural das regiões brasileiras, ele passou a representar uma grande ameaça à biodiversidade. Hoje eles estão presentes em praticamente todo o nosso território, em campos, matas e cidades.

Um dos piores problemas relacionados a esse falso caramujo é que ele pode ser transmissor de doenças. O caramujo africano pode hospedar dentro do seu corpo um verme minúsculo que, aos entrar em contato com humanos, causa inflamação das meninges, que são membranas que protegem o cérebro. Em seu habitat natural, a África, o caramujo africano possui predadores, como os mangustos (um mamífero), que mantém o ambiente em equilíbrio. Mas, longe de casa, sem predadores, eles proliferam, ameaçam a natureza e a saúde humana.

Mesmo sendo um transtorno fora de casa, os caramujos africanos, assim como demais caramujos e caracóis, têm função importante no meio ambiente: eles são detritívoros, animais que se alimentam de restos de outros animais e plantas.

Jaqueline Aparecida Gonçalves Soares
Departamento de Pedagogia, Faculdade Ajes (MT)
Doutoranda em Biotecnologia e Biodiversidade, Rede Pró Centro-Oeste

…quantas línguas indígenas existem no Brasil?

Foto Marcelo Camargo/Agência Brasil

No Brasil, quando falamos de línguas indígenas estamos nos referindo a um diverso e rico patrimônio linguístico. Hoje ainda são faladas 274 línguas, pertencentes a 305 povos originários – chamados assim por serem os primeiros habitantes do nosso território – que vivem em todos os estados brasileiros. Os números podem impressionar os leitores, mas especialistas acreditam na existência de 1.200 línguas antes da colonização.

Essa diversidade linguística e cultural vem desaparecendo ao longo dos séculos devido às transformações decorrentes do genocídio (extermínio) dos povos originários, sempre acompanhado do glotocídio (desaparecimento de uma língua), da proibição do uso das línguas indígenas e da imposição do Português como língua de comunicação no período colonial e pós-colonial.

O Brasil é um país multilíngue e precisamos conhecer, valorizar e preservar as línguas indígenas, pois várias estão ameaçadas ou em processo de extinção. No dia 21 de fevereiro, comemora-se o Dia Internacional das Línguas Maternas e, é importante lembrar, estamos na Década Internacional das Línguas Indígenas no Brasil (2022-2032), uma iniciativa da Organização das Nações Unidas (UNESCO) para a valorização, documentação e preservação das línguas indígenas faladas no nosso país.

Ana Paula da Silva
Programa de Estudos dos Povos Indígenas (PROÍNDIO)
Universidade Estadual do Rio de Janeiro

 

 

… como os oceanos se formaram?

Ilustração Walter Vasconcelos

Como os oceanos são tão profundos? De onde veio tanta água? E por que a água dos oceanos é salgada? São perguntas assim que nos levam a pensar na origem dos oceanos. Neste caso, vale saber que, no início da formação do nosso planeta, o solo tinha um aspecto bastante irregular. Em outras palavras, a superfície da Terra apresentava algumas partes com grandes elevações e outras com enormes depressões (afundamentos), onde havia intensas atividades vulcânicas. O que isso tem a ver com os oceanos…?

Bem, os vulcões expeliam magma – a famosa lava –, além de elementos químicos na forma de gases, como o metano, a amônia, o hidrogênio e o vapor d’ água. Esse vapor d’ água formava extensas e densas nuvens, que, com o tempo, retornavam à superfície em forma de chuva, mas muita chuva mesmo! Aí, a água da chuva em contato com o magma retornava à atmosfera, gerando um ciclo que durou por milhares de anos. Gradualmente, a temperatura da Terra foi diminuindo e chuvas torrenciais caíram continuamente por centenas de anos. A água da chuva desgastava o solo magmático, dando origem a incríveis afundamentos da crosta (superfície) terrestre, que, milhões de anos depois, ficaram cheios. Isso é o que hoje conhecemos como oceano.

Cleverton da Silva
Pós-Graduação em Desenvolvimento e Meio Ambiente (PRODEMA)
Universidade Federal de Sergipe

Matéria publicada em 05.04.2023

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