A tanica viveu antes dos dinossauros e tinha uma mandíbula cheia de dentes bem estranhos.
A tanica viveu antes dos dinossauros e tinha uma mandíbula cheia de dentes bem estranhos.

Nome: Tanica (Tanyka amnicola)
Origem: Piauí e Maranhão, Brasil
Tamanho: aproximadamente 1,5 metro
Peso: até 50 quilogramas
Época em que viveu: 280 milhões de anos atrás (Período Permiano)
Há milhões de anos, na margem de um lago, muito antes de os dinossauros existirem, animais surpreendentes já andavam na Terra. É o caso de uma espécie que viveu onde hoje é o Nordeste do Brasil. O clima era fresco, e nas margens do lago havia samambaias do tamanho de coqueiros e árvores enormes, que pareciam araucárias. Na água transparente do lago, chegava, sem ninguém esperar, nadando bem devagar, um animal que parecia um jacarezinho, mas com a cabeça grande, semelhante à de uma rã. Ele não saía da água, ficava na beiradinha, remexendo o fundo do lago, arrancando, raspando e mastigando qualquer alga ou vegetal que encontrava. Era a tanica, um anfíbio diferentão!
O primeiro fóssil de tanica foi encontrado no município de Timon, no Maranhão, em 2011. Após horas escavando sob o Sol quente, a quase 40 graus, cientistas extraíram uma mandíbula completa, porém bastante “esmagada”, algo comum em fósseis, por conta do peso das camadas de rocha por cima deles ao longo de tanto tempo.
Nos anos seguintes, foram encontradas outras mandíbulas parecidas, mas incompletas, de forma que não se sabia se eram do mesmo animal. Até que, em 2015, no leito do riacho Pedra de Fogo, em Pastos Bons, também no Maranhão, apareceu a primeira mandíbula inteira e sem estar “esmagada”.
Nesse momento, percebemos que ela era de uma espécie bem diferente das conhecidas até então. A mandíbula inteira foi enviada para os Estados Unidos por um ano, onde passou por delicados procedimentos de limpeza, enquanto a encontrada em 2011 foi limpa e restaurada no Brasil, por um técnico vindo da Argentina. Em 2022 e 2023, mais duas mandíbulas foram encontradas, desta vez em Nazária, no Piauí.
As mandíbulas eram da mesma espécie que ganhou o nome de Tanyka amnicola. Tanyka, na língua indígena guarani, significa “queixo” ou “mandíbula”, e amnicola, em latim, significa “morador do rio”, pois o fóssil mais completo foi encontrado no riacho.

Juan Cisneros,
Museu de Arqueologia e Paleontologia,
Universidade Federal do Piauí.
Matéria publicada em 01.10.2026
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