De visita ao Dragão do Mar

Centro cultural combina memória, arte e diversidade inspirado em líder do movimento abolicionista no Ceará

De visita ao Dragão do Mar
Instalado na Praia de Iracema, em uma área portuária do século 19, o centro cultural homenageia a coragem do Dragão do Mar.
Foto Ariel Gomes

Dragões são seres com asas, cauda de serpente e garras enormes, que expelem fogo pela boca e, você sabe, só existem em histórias fantásticas. Mas o Brasil teve um dragão. Um dragão do mar! Não era um dragão de verdade, mas um homem, especialista na manobra de embarcações, que ficou conhecido assim pela bravura de lutar contra a escravização. 

Francisco José do Nascimento, o Dragão do Mar, nasceu na praia de Canoa Quebrada, no Ceará. Ele liderou um grupo de trabalhadores do porto de Fortaleza que se recusou a transportar pessoas escravizadas em seus barcos. Com isso, virou um símbolo de resistência, liberdade e luta por justiça. E, mais tarde, ainda inspirou o nome de um importante centro cultural que mantém essa história viva na capital cearense!

Tudo começou lá no ano de 1881, quando Francisco José do Nascimento organizou uma grande greve. Os homens que trabalhavam no porto com seus barcos não iam mais transportar pessoas escravizadas. A jangada de Dragão do Mar, um barco feito de troncos, ganhou o nome “Liberdade”. Foi uma grande mobilização! 

O movimento cresceu e levou ao fim da escravização no Ceará em 1884, quatro anos antes da Lei Áurea, que determinava o fim da escravização em todo o país. A jangada Liberdade foi levada em um barco até o Rio de Janeiro, onde foi exibida pelas ruas e chegou ao Museu Nacional. Mas, com o tempo, ela acabou sendo desmontada, queimada ou perdida, e hoje ninguém sabe exatamente onde ela está.

Camila Rodrigues,
Centro Dragão do Mar de Arte e Cultura.

Matéria publicada em 04.05.2026

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