
Nome popular: cágado-do-paraíba ou cágado-de-hoge
Nome científico: Ranacephala hogei
Tamanho: até 38 centímetros de comprimento
Classificação: em perigo
Esse cágado é tão discreto que, por muitos anos, quase não foi visto nos rios onde vive. Por isso, cientistas chegaram a pensar que ele poderia ter desaparecido de algumas regiões. O cágado-de-hoge tem esse nome em homenagem a um cientista do Instituto Butantan, Alphonse Richard Hoge. Ocorre apenas no Brasil e vive em poucos rios que percorrem a Mata Atlântica de Minas Gerais, Rio de Janeiro e Espírito Santo. Durante aproximadamente 30 anos, quase tudo o que a ciência sabia sobre esse cágado vinha de poucos indivíduos encontrados no rio Carangola, na região do rio Paraíba do Sul, em Minas Gerais. Por isso, esse animal também é conhecido como cágado-do-paraíba.
Ao contrário da maioria dos cágados, o cágado-de-hoge não costuma subir em pedras ou troncos para se aquecer. Ele prefere ficar quieto dentro do rio, colocando apenas a cabeça fora da água para tomar Sol, esquentar o corpo e fazer suas atividades diárias, como se alimentar, proteger seu território e cuidar do seu grupo.
Quando percebe a presença de pessoas ou de algum perigo, ele nada rapidamente para o fundo e desaparece silenciosamente. Ele é colorido: tem boca e pescoço amarelos, enquanto a cabeça é vermelho escuro, uma combinação de cores que no fundo do rio pode passar despercebida. Mas muitos pescadores acabam encontrando esse cágado, já que ele é atraído pelas iscas usadas na pesca.
A redescoberta do cágado-de-hoge não foi sorte, mas resultado de muito trabalho em equipe. Ano após ano, pesquisadores visitaram os rios onde a espécie vive. Mas um passo muito importante foi formar um time de ajudantes: pescadores, ribeirinhos e protetores da natureza que conhecem cada curva dos rios e passaram a avisar os pesquisadores sempre que encontravam o cágado.
Graças a essa união de esforços, o cágado-de-hoge foi encontrado em muitos lugares. Um dos casos mais emocionantes foi no rio Itapemirim, no Espírito Santo, onde a espécie não era vista há mais de 40 anos! Em outros rios, como o Carangola, o cágado é acompanhado de perto, e muitas descobertas chegam aos cientistas por meio de fotos enviadas pelos colaboradores.
Toda vez que alguém encontra um cágado nos rios monitorados pela equipe, não é só um encontro especial. Eles observam com atenção, tiram fotos e contam o que aconteceu. Essas informações são como pistas de um grande quebra-cabeça.
Os cientistas juntam todas essas pistas e estudam com cuidado: onde o cágado apareceu, como ele estava, o que estava fazendo… Parece fofoca, mas é pura ciência! Esses dados ajudam a entender melhor como esse animal vive e o que ele precisa para continuar existindo.
Depois, a ciência vai ser divulgada, na forma de textos como este aqui! Tudo o que foi aprendido é mostrado e explicado para outras pessoas, para que possam conhecer mais sobre a vida do misterioso cágado-de-hoge e ajudar a protegê-lo. Desse jeito, cada encontro com esse morador dos rios vira uma parte importante da história da natureza!
O cágado-de-hoge é uma espécie-alvo do Plano de Ação Nacional para Conservação da Herpetofauna Ameaçada do Sudeste, coordenado pelo Ministério do Meio Ambiente. Isso porque essa espécie precisa de ações protetivas, florestas bem cuidadas para fazer seus ninhos, um rio limpo para viver e ambientes de corredeira (a parte mais rasa dos rios) bem cuidados para continuar existindo. Mas muitas dessas florestas foram cortadas, muitos rios seguem poluídos com esgoto e lixo, e muitas das corredeiras se tornaram lagos para produção de energia elétrica. Quando os rios ficam sujos e poluídos, a água e a comida dos cágados deixam de ser saudáveis, o que pode deixá-los doentes.
A natureza – a do Brasil, especialmente – não cansa de surpreender. A existência do cágado-de-hoge é uma prova de que cada animal tem um papel importante na natureza, e de que ainda existem muitos segredos guardados nas águas do Brasil.
E você também pode ajudar a proteger a espécie! Se avistar um cágado, peça a um adulto de sua confiança para enviar fotos, vídeos ou registros para o Instagram: @biologoscamilaeclodoaldo e contribua com uma pecinha nesse quebra-cabeça sobre a vida desse precioso animal. Uma atitude simples que faz enorme diferença!
Camila Moura Novaes,
Clodoaldo Lopes de Assis,
Projeto Conservação Integrada do Cágado-de-hoge,
Instituto Catuauá de Conservação da Natureza.
Rafael Martins Valadão,
Projeto Conservação Integrada do Cágado-de-hoge,
Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade.
Matéria publicada em 01.09.2026