Ilustração Walter Vasconcelos

A relação dos seres humanos com os peixes é bastante antiga. Antes de conseguir desenvolver técnicas para plantar e colher, e meios de domesticar animais, nossos ancestrais dependiam muito da pesca como fonte de comida. Provavelmente, você já ouviu falar que os peixes são alimentos com alto teor de proteína, vitaminas e diversos nutrientes importantes para a nossa saúde. Mas você sabe de onde vem aquele peixe que sai do supermercado ou da peixaria e vai parar no seu prato? Então vamos falar sobre a profissão de pescador – ou pescadora!

O extenso litoral brasileiro e os grandes rios e seus afluentes sempre favoreceram a pesca no nosso país – na lista dos maiores rios do mundo temos dois entre os dez primeiros: o rio Amazonas e o rio Paraná. Trabalhando há 38 anos como pescador artesanal em Arraial do Cabo (RJ), José Antônio Freitas contou à CHC um pouquinho sobre sua rotina ao longo dos dias.

“Nosso trabalho é constante. Na pesca, dependemos muito do que a natureza nos oferece: se o vento está calmo, se o mar está manso e não muito alto, se não está ventando muito… Muitas vezes, a gente fica um tempão sem pescar por falta de tempo bom. Contudo, não paramos nunca. Quando não estamos no mar por conta do mau tempo, a gente trabalha em terra preparando os aparelhos, consertando alguma coisa que quebrou no barco, planejando como será a próxima pesca e tudo mais”, conta.

A pesca artesanal é responsável por gerar a maior parte dos peixes que nós, brasileiros, consumimos. José Antônio reforça a importância da preservação desse tipo de atividade para nossa sociedade.

“A comida saudável e o pescado na mesa é nosso principal objetivo. Mas, para isso, precisamos manter a tradição da pesca artesanal, que é uma coisa que vem de longa data”, opina.

E como será que nosso entrevistado começou sua carreira? Engana-se quem está pensando que as habilidades da pescaria foram passadas de pai para filho. José diz que a pescaria profissional entrou na vida dele quase por acaso.

“Eu sou o único da minha família que é pescador. Tudo começou numa pescaria por hobby. Eu comecei a me apaixonar pela pescaria. E foi então que passei a juntar o útil ao agradável. Me tornei um pescador profissional assim, sem planejar muito. E já se foram 38 anos nessa função que gosto tanto”, revela.

Preocupado com a manutenção dessa atividade de grande importância, nosso entrevistado chama a atenção para que as próximas gerações fortaleçam e deem continuidade à pescaria, que há muitos anos é essencial para toda a humanidade.

“Não podemos deixar a pesca artesanal acabar. Precisamos propagar cada vez mais essa atividade tão importante para nós. Daqui a uns dias, eu vou parar, mas é fundamental que venha outro no meu lugar. Não podemos deixar a pesca artesanal morrer. Faz parte da cultura”, conclui.

E, então, será que pescar é a sua praia também?

Guto Mariano
Jornalista
Especial para a CHC

Matéria publicada em 04.05.2023

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